Reflexões de Bolso

Estar viva é uma condição que me fascina, ignoro o real motivo pelo qual estou, porém às vezes pressinto alguma razão. Diariamente sinto a minha vida e a minha alma doada integralmente a um serviço vassalo, me identifico em alguns sorrisos e me guardo em outros. Recuso a crer na liberdade em tom filosófico, pois não sou livre. Me sinto atravessada por opressões ideológicas estranhas que chegam até mim. Sou uma mulher lutando diariamente pelo direito de Ser e não posso me preocupar com o sentido ou a finalidade que este conceito cabe a outro, pois visto de um ponto de vista objetivo isso seria absurdo.

Sigo alguns ideais e ações que dirigem meu sentir, pois jamais considerei o prazer, a felicidade, como um fim em si, deixo este tipo de concepção para indivíduos reduzidos à instintos de grupo, manada de religiosidade e contratos maus definidos. Me atrai a beleza e o intelecto que muitas vezes são trazidos pela arte, se não se envolvem não possuem graça pra mim.

Vivo num termo social que tem por agrado julgar os que rompem com as suas gaiolas mentais, são estes seres novamente reduzidos que se protegem em conchas pessoais se atacando e defendendo seus bens. Estes, tem por si bens como preços e não valores, se aprisionam à sentimentos por medos e julgam os libertários de libertinagem, por fazerem exatamente aquilo que gostariam de fazer, mas covardes recorrem aos gritos e ameaças, admitindo assim uma postura clara de desespero e infantilidade. Deixam escancarados seu total despreparo em tratar o mutável, pois ninguém mantem sentimentos atemporais, eles já são por si só. Findar uma vida à rotina é condicionar o ser humano ao que compararia a um morto-vivo. Gosto de pensar na frase de Benjamin Disraeli onde ele aponta que “a vida é curta demais para ser pequena”.

Sinto-me fortemente ligada à laços familiares, amigos, mas meu coração experimenta forte estranheza em tal dinâmica, porque sou profundamente solitária, experimento o sentimento satisfeito de minha solidão. Não tenho por compromisso entender o que pensam sobre o que eu mesma penso e diria que os que fazem isso devem estar isentos de dinâmicas pessoais, bem como quando tentam demonstrar o que não são, para ganharem votos de fidelidade em laços afetivos finitos. É muito mais produtivo pensar e criar a partir do que nós mesmos desfrutamos do que buscar no outro a razão do nosso existir.

O que alimento como liberdade na verdade é erroneamente visto aos olhos cegos a minha máxima que não carece de satisfação alguma. Não sou responsável pelas ações de outrem, se mentem para se proteger, se criam para viver, se se anestesiam para se suportar, se cedem a prazeres momentâneos para se alegrar, se fazem caridades para ganhar terrenos em terra imagináveis, essas e quaisquer outras razões que parta do próximo não me cabe responsabilidade, mas sempre me caberá a humildade de lamentar, pois podem arrancar-lhes o encéfalo, o comando do corpo é apenas da medula espinhal.

Não sou adepta à hierarquias e recentemente descobri que o medo é algo quase inexistente em mim.
Sigo mantendo a minha construção e aberta a qualquer experiência que me caiba além da mencionada por Bondía, pois nasci em espírito de matilha e não de rebanho.

mariknox

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Esquisita demais para viver, rara demais para morrer.

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