CINEMA E REPRESSÃO: O caso Stonewall – Onde o orgulho começou.

Por: Ivã Habib Ferreira

Anos 70. Estados Unidos da América. Os direitos civis de negros, lésbicas e de toda a comunidade LGBT são reprimidos. Brasil. 2016. Filme é represado pela mídia, critica e públicos por tratar de um tema tão caro, ou seja, a luta dos direitos da comunidade LGBT nos anos 70 nos EUA. O que isso tem em comum? Muita coisa.
Primeiramente, devo ressaltar que este texto não visará o tema da repressão a comunidade LGBT na época distinta, tema esse que tratarei em outro artigo aqui mesmo para a revista (Aguardem!) e sim sobre a homofobia por parte dos dito <<grande público>> , e da mídia a cerca do filme.

Cartaz do Filme “Stonewall – onde o orgulho começou”. 2016.

Pois bem, com esse pressuposto já explicito, posso afirmar com certa veemência que, ambas partes, principalmente a mídia tem feito muito alarde contra o filme à toa. Pelo o que percebi no trailer do já citado, o filme não tem nada de tão absurdo e abismal assim, para tanta repulsa. O filme trata com uma leve mão todo o pavor que ocorria naquela época em todas as partes do mundo, seja nos EUA, Brasil, Londres, Praga, etc. O filme pode até parecer datado pela década abordada mas, se formos observar com mais sensibilidade aguçada, podemos (e devemos! ) fazer um quadro comparativo com nossos dias atuais. Quanto de nós, seja na comunidade LGBT ou não sofremos com nossos direitos violados e violentados em grau máximo? Quanto de nós não queremos falar quem realmente somos mas somos calados; seja pela Igreja, pela Política ou por quem quer que seja.

O filme não faz mais do que nos alertar dos desvios de poder que os governos de todo o mundo faziam (e ainda fazem) com quem queria ser livre mas não conseguia ser. É por deveras injusto, a mídia maldita- sempre ela- querer culpabilizar quem luta por seus direitos assegurados, ou não, de ter um filme abordando tais questionamentos e tal paralelo. Diga-se de passagem que ele, o filme, é todo cunhando em fatos verídicos daquela época, mas que nos parecem terem sidos arrancados, extirpados dos nossos jornais contemporâneos de tão crus e vis que são os relatos que vemos tanto no filme quanto nos jornais. Longe de mim querer fazer uma ou outra pessoa de vítima leitor, mas no que cerne a ser humano , palavra esta que infelizmente está cada vez mais sendo desenfocada da parte mais intrínseca de nosso quadrante social e sociológico, hoje em dia, seja perante a rejeição ao filme ou não, a humanidade em geral tem perdido o afeto que ela mesma tinha no tempo de outrora. Mas rebobinando ao filme, é não profícuo que você seja impedido de assistir a um filme que está sendo exibido em sua cidade só por seu tema. É não justo que quase sala de cinema nenhuma esteja exibindo “Stonewall”, pelo menos aqui no Rio de janeiro onde resido. Segundo fontes seguras que possuo o filme só terá mais uma exibiçãozinha e acabou. Não terá mais exibição nas salas de cinema. E acho que isso está ocorrendo Brasil afora. Isso tudo tem um nome. É violação do direito de livre expressão, seja no âmbito constitucional ou no âmbito dos direitos humanos! Paremos para refletir: filmes com temáticas muito piores passam nas telas de cinema e fazem sucesso feito água e um filme mais ‘feminino’ e ‘cabeça’ não faz. E isso é culpa de quem? Dos roteiristas? Dos diretores do filme? Não! É culpa das massas que se deixam seduzir cegamente pela mídia que manipula o seu pensar e o seu agir a todo instante e faz com que ela mesma- a massa famigerada e esquizofrênica- não de o devido prestigio a um filme que vem paralelizar uma coisa nefasta e atual, a violência as minorias homossexuais.

Uma das várias cenas de forte impacto que são veiculadas no filme representando uma das primeiras passeatas LGBTQ ainda em finas de Década de 1960.

Leitor, não defendo aqui a criminalização e a marginalidade dos filmes com tais temáticas, eu só (re) afirmo que, a cada dia que passa mais filmes como o tratado aqui, vem sendo desglaourizado pela mídia e pelos públicos, principalmente os brasileiros, que continuam a dar ouvidos a uma gente que no fundo, lá no fundão mesmo, não admite que tem nojo de si mesmo, ou seja, nojo de seu igual, de seu próximo. Nojo de ser humano mesmo. Um nojo tão nefasto que contamina toda a mídia perversa que é a mídia nacional; infelizmente o único canal onde as verdades são expostas nuas e crias nos dias de hoje é realmente a mídia alternativa, onde a revista onde tu leitor está tendo a honra de ler neste exato momento, faz parte. Uma mídia onde as verdades e idiossincrasias socioculturais são postos em xeque-mate para a reflexão de um outro alguém; uma mídia que não diz aos berros : “Não vejam tal filme. Vejam tal filme. ” ou pior “Tal filme com temática LGBT é filme que deve ser posto no limbo.” , um mídia com conceitos prévios e formado sobre tudo. Um conceito pré-formatado sobre todos. Sobre o gênero humano que tem sido apodrecido nas ruas a fora. Uma mídia que não pare o que deve parir, ou seja, trazer ao esplendor o que realmente deve ser explicitado, dar voz, coragem e vez a quem é castrado pela própria mídia ela não faz. E isso também se reflete, principalmente ao cinema e a cultura de forma geral. O que não é bom para o ‘povão’ – que está cada vez mais idiotizado- não presta. E o que presta então? Me diga leitor!? O que presta!? O que!?

Termino este breve reato critico sobre o filme com várias pequenas, mas importantes questões para a tua reflexão: “Até que ponto a Mídia te cegará? Cegará o povo? Mandará como um general naquilo que deve ou não ser assistido ou veiculado? A censura acabou? Até quando tudo isso irã? ” Bem leitores, espero, de verdade, que algum dia os filmes como “Stonewall”, não sofram mais tanta perseguição tanto pelo público tanto pela mídia. E vamos para a luta!

 

ATENAÇÃO LEITORES !!! 

O texto acima foi oriundamente escrito no ano de 2016 e publicado apenas hoje, após quase dois anos, mas a opinião acima explicitada prevalece. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *