Carta aberta aos solitários

eu sempre soube que domingo
eram dias tristes.
mais do que qualquer outro dia
mais tristes do que as segundas
mais do que meu olhos tontos
mas do que os dias cinzas.
eu sempre soube!
mas isso não significa muita coisa
diante do silêncio de quem
ainda se esconde debaixo da cama,
para quem ainda tem medo do escuro
para quem ainda treme no assoalho
para quem ainda sussurra
em vão por um nome que não vem.
dedico essas letras feridas
a todos que se recolhem no sótão
a todos que andam sobrecarregados
a todos que suportam o fardo
a todos que dessecam expostos ao medo
a todos que se perderam no caminho
(não tem nada demais não se achar
de vez em quando)
as vezes os domingos parecem

ser eternos dentro da gente.

eu nunca encontrei abrigo sincero
no travesseiro de ninguém!

(Ítalo Lima)

Ilustração: Irineu Santiago

Ítalo Lima

About Ítalo Lima

Ítalo Lima nasceu em Teresina/PI. Formado em Publicidade e Propaganda e cheio de inquietações na pele. Poeta em estado constante de aflição. Amante confesso da palavra desde a infância, mas foi a partir dos 18 anos que assumiu abertamente o ofício como poeta. Em 2014 criou o projeto no Instagram (@italolimapoesias) onde vende poesia em moldura e até hoje vem curando a solidão através de quadros poéticos. Da solidão ao erotismo, cada verso parece rasgar a pele sem nem sequer pedir licença, inocente, o poeta Ítalo Lima escolheu a poesia como uma forma de retornar ao útero. Autor também da obra "Quando a gente se mata numa poesia", lançado em 2017, na Bienal do livro, no Rio de Janeiro.

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